Sempre quis escrever sobre Jane Austen. Vivo cercado de referencias a seus personagens, ate mesmo em manuais de etiqueta com os quais esbarro nas livrarias.
Quando eu penso em J., eu lembro de S., um colega de graduacao que
apresentou um seminario sobre Pride and prejudice e, nos slides, teve a
criatividade de escrever “Auster”. Na hora, nem passou pela cabeca
lembrar de Paul Auster. Ate entao, o escritor de Nova Iorque nao
frequentava a minha estante.
Ha ligacao entre Austen e Auster?
Sim. Poucas (quando guiadas por razoes pessoais). Ambos, autores que eu li relativamente tarde. Digamos que chegaram depois dos 23, ja no segundo tempo: Sense and sensibility e The New York trilogy.
Outro ponto de
ligacao seria a fixacao em certos temas: o casamento e a vida familiar,
no primeiro; a grande metropole norte-americana, no outro. Tudo feito na
base do realismo, usando as tecnicas (supostamente) em voga na epoca.
Mas, de volta a ligacao. Observando as obras como um todo, nao existe
algo de especial na forma de narrar de Austen –e, nada mais
significativo que a sua condicao de escritora no sec. 19. Ao mesmo
tempo, nao se ve grandes sacadas esteticas nas obras de Auster apos a
trilogia de 87 –James Wood, da New Yorker, chega a trucidar o escritor
do Brooklyn, quando diz: (Paul Auster) “does nothing with cliche except
use it”.
Essa falta de “grandes sacadas” seria a chave da coisa: Austen abalizada pelos fatores social e de genero de seu tempo; Auster, legitimado por ter escrito um livro de “cliches” e plot de historia de detetive, que pareceu coerente (ou pertinente) na epoca de publicacao.
( … )
– Continua.
