quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Austen(R)





Sempre quis escrever sobre Jane Austen. Vivo cercado de referencias a seus personagens, ate mesmo em manuais de etiqueta com os quais esbarro nas livrarias.

Quando eu penso em J., eu lembro de S., um colega de graduacao que apresentou um seminario sobre Pride and prejudice e, nos slides, teve a criatividade de escrever “Auster”. Na hora, nem passou pela cabeca lembrar de Paul Auster. Ate entao, o escritor de Nova Iorque nao frequentava a minha estante.

Ha ligacao entre Austen e Auster?

Sim. Poucas (quando guiadas por razoes pessoais). Ambos, autores que eu li relativamente tarde. Digamos que chegaram depois dos 23, ja no segundo tempo: Sense and sensibility e The New York trilogy.

Outro ponto de ligacao seria a fixacao em certos temas: o casamento e a vida familiar, no primeiro; a grande metropole norte-americana, no outro. Tudo feito na base do realismo, usando as tecnicas (supostamente) em voga na epoca.

Mas, de volta a ligacao. Observando as obras como um todo, nao existe algo de especial na forma de narrar de Austen –e, nada mais significativo que a sua condicao de escritora no sec. 19. Ao mesmo tempo, nao se ve grandes sacadas esteticas nas obras de Auster apos a trilogia de 87 –James Wood, da New Yorker, chega a trucidar o escritor do Brooklyn, quando diz: (Paul Auster) “does nothing with cliche except use it”.

Essa falta de “grandes sacadas” seria a chave da coisa: Austen abalizada pelos fatores social e de genero de seu tempo; Auster, legitimado por ter escrito um livro de “cliches” e plot de historia de detetive, que pareceu coerente (ou pertinente) na epoca de publicacao.

( … )

– Continua.